Novo trabalho da banda carioca reforça o metal tradicional com riffs diretos, produção mais pesada e letras sobre a vida cotidiana de quem vive a cena
A Facing Fear lança nesta sexta-feira, 9 de outubro, o álbum Keep The Heavy Metal Alive!. O novo trabalho coloca a banda carioca em uma fase de produção mais pesada, sem abandonar os elementos que definem sua trajetória: riffs marcantes, refrões diretos e compromisso com o heavy metal tradicional.
À frente do grupo está Terry Painkiller, vocalista que se tornou uma voz bastante ativa nas redes sociais ao comentar música, cultura underground, comportamento e o cotidiano dos headbangers. Com uma audiência próxima de 90 mil seguidores no Instagram, ele conduz uma formação que também reúne D’antas e John Killesh nas guitarras, Pedro Baumgarten no baixo e Filipe Barbosa na bateria.

O título do disco funciona como uma síntese da postura da banda. Em declaração sobre o lançamento, Terry define o trabalho como “um álbum feito por headbangers, para headbangers e pelos headbangers”. A ideia não é buscar uma reinvenção do gênero, mas reafirmar uma linguagem construída sobre guitarras intensas, vocais rasgados e energia coletiva.
Para D’antas, Keep The Heavy Metal Alive! representa o trabalho mais consistente do grupo. O guitarrista destaca uma banda mais segura durante a produção, com espaço para desenvolver os arranjos e transformar as ideias em canções de execução mais intensa.
Essa segurança se estende às letras. O repertório aborda ansiedade, burnout, frustrações afetivas, traições, violência urbana, fé, isolamento e a pressão criada pelas redes sociais. Em vez de recorrer a uma fantasia distante da realidade, a Facing Fear aproxima suas músicas da experiência de quem encontra no metal uma válvula de escape para uma rotina sufocante.
A faixa-título resume esse espírito ao se dedicar aos headbangers anônimos, aqueles que mantêm a cultura do metal em movimento sem grandes estruturas, tempo de sobra ou reconhecimento imediato. Musicalmente, o álbum recupera também um método de trabalho mais orgânico: as composições começaram com os integrantes reunidos em sala, tocando em conjunto, antes de passarem por semanas de refinamento de riffs, estruturas e arranjos.
Formada no Rio de Janeiro em 2016, a Facing Fear nasceu da amizade entre D’antas e Vall, primeiro baterista da banda. A paixão pelo heavy metal tradicional e a percepção de que havia pouco espaço para essa sonoridade na cena carioca orientaram a criação do grupo, que desde o início assumiu a missão de manter acesa a chama do metal clássico, dialogando também com a New Wave of Traditional Heavy Metal.
A estreia veio em 2017, com o EP Lutaremos Pelo Metal, trabalho que já apresentava os pilares da identidade do grupo. Em 2019, o álbum Ana Jansen ampliou a presença da Facing Fear na cena nacional, equilibrando peso, melodia e temas ligados ao imaginário do metal.
Nos anos seguintes, a banda manteve uma produção constante. Em 2020, lançou os singles “Omaira” e “Until The End – Unplugged”. Já em 2022, chegou Marginal Metal, acompanhado de videoclipes para canções como “We Will Arrive”, “I’m Crazy”, “Marginal Metal”, “Fighting Game”, “That’s How Life Flows” e “Likers and Lovers”. Em 2023, o grupo lançou ainda o clipe de “We Need Money”.
Com quase uma década de estrada, a Facing Fear segue defendendo o heavy metal tradicional como linguagem artística e forma de resistência. Keep The Heavy Metal Alive! reforça essa perspectiva ao falar diretamente com um público que reconhece, no peso, na raiva e no acolhimento do metal, uma maneira de enfrentar as pressões do cotidiano.




