Rockarioca celebra 6 anos em momento de reinvenção da cena

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Quinta edição do festival na Audio Rebel é marcada pela resistência cultural. Em show emocionante, Gilber T comemora dez anos do álbum Contradições e do livro Brodagens.

Nos anos 1980, Pedro Serra já tocava bateria em bandas independentes, fotografava e produzia festas no Rio de Janeiro. Ele seguiu atuante na cena carioca na década seguinte. Em outubro de 2020, resolveu criar um movimento para valorizar e reorganizar as coisas, batizando a iniciativa de Rockarioca. Nos dias 23 e 24 de outubro, celebrou seis anos do projeto em sua quinta edição de festival, convocando seis bandas para tocarem na Audio Rebel, importante reduto underground da Cidade Maravilhosa.

“Durante a pandemia, diziam que o Rio era o túmulo do rock. Então, a ideia era colocar o rock do Rio de Janeiro no mapa de novo”, explica Serra, frisando a diversidade musical. “A grande característica do rock do RJ é a mistura, seja com samba, reggae, música eletrônica, um rock com personalidade.”

Ao retroceder um pouco no tempo, lembramos de outras movimentações semelhantes nos anos 2000, como a realizada pelo músico Rodrigo Quik e o Arariboia Rock, que, entre 2004 e 2014, fomentou a cena no Leste Fluminense. Agora, além do Rockarioca, do Rio + Rock e do Cariocaos, a capital se fortalece com iniciativas pontuais e eventos promovidos por skatistas e donos de casas de show, como o Garage Grindhouse, que movimenta a Rua Ceará, na Praça da Bandeira, no Dia do Rock.

Se ainda estamos distantes do fervo cultural de dez ou 15 anos atrás, ao menos as tentativas voluntárias de produtores como Pedro Serra dão um alento de esperança por dias melhores. O mais curioso na quinta edição do Rockarioca foi a presença de músicos veteranos em novos projetos. É o caso de Alex Frechette, que por anos liderou o trio Noitibó; Marco Homobono, eterno líder dos (Kamun)Djangos e vocalista do Disstantes; e Enzo Banzo, da banda mineira Porcas Borboletas.

PIC-NIC | Foto: Pedro Serra

A banda Pic-nic, de 2001, também marcou presença no palco da Audio Rebel, assim como o trio Os Duartes, caçula do line-up. Mas a grande atração do evento foi mesmo a reunião de Gilber T & Os Latinos Dançantes, que se reagruparam dez anos depois do lançamento do álbum Contradições e do livro Brodagens. Ver tantos músicos talentosos juntos novamente, cada vez mais afiados e em uma sinergia absurda, tornava difícil acreditar que Amin, Augusto Feres, João Pinaud, Colares e Gilber não tocavam juntos havia uma década.

Gilber T e Os Latinos Dançantes | Foto: Pedro Serra

O show foi emocionante do início ao fim, incluindo todas as faixas do disco. Se, nesse intervalo de uma década, assistimos à partida do grande Gerson King Combo — que participou da música “Da Ordem” —, por outro lado tivemos a alegria de ver André “Nervoso” Paixão subir ao palco para cantar “Não Há Nada que Me Convença”, em um dos momentos mais animados da noite. Produtor do álbum Contradições, Bruno Marcus ajudou Gilber com a letra de “El Topo”, canção inspirada no filme homônimo de 1970, dirigido, escrito e protagonizado por Alejandro Jodorowsky.

Homobono e Banda | Foto: Pedro Serra

Em clima de brodagem total, coube a Marco Homobono encerrar a quinta edição do festival ao lado dos velhos parceiros Melvin, no baixo, e Jomar Schrank, na guitarra. Em uma pegada mais reggae e chapada do que a do alucinado skaraggapunkrock de outros tempos, Homobono convocou Gilber para cantarem juntos uma música do Disstantes. E assim, em um clima de amizade e celebração, a noite terminou com muitos abraços e reencontros, deixando claro que o rock carioca ainda tem muita lenha para queimar.

Os Duartes | Foto: Pedro Serra
Enzo Banzo | Foto: Pedro Serra

Agenda lotada de shows do Rockarioca

Na opinião do produtor Pedro Serra, os shows de Gilber e Homobono foram os mais marcantes nesses seis anos do Rockarioca: “Foi o Gilber quem me fez voltar a tocar, no começo dos anos 2000, quando ele me chamou para gravar duas músicas em um disco dele. Depois, eu fundei a banda Estranhos Românticos. E o Disstantes nasceu de um reencontro do Homobono e do Gilber no Rockarioca. Eu fiz um clipe para eles da música ‘Menitras’. Eu os considero dois gênios, pessoas importantíssimas para o rock do Rio, que transformam condições desfavoráveis em músicas excelentes.”

Além do festival anual, Serra realiza uma edição mensal do Rockarioca há três anos e meio no bar La Esquina, na Lapa. “Já realizei 37 edições, e a fila para tocar está enorme. Já estou agendando shows para o ano que vem. Ajudamos a criar uma cena, mas o desafio é furar a bolha e levar a cultura underground para o mainstream.”

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Foto de Pedro de Luna

Pedro de Luna

Pedro de Luna é escritor, jornalista e quadrinista. Formado em Comunicação Social pela UFF, escreveu e publicou 20 livros, entre eles a biografia das bandas Mundo Livre S/A e Planet Hemp.

Foto de Pedro de Luna

Pedro de Luna

Pedro de Luna é escritor, jornalista e quadrinista. Formado em Comunicação Social pela UFF, escreveu e publicou 20 livros, entre eles a biografia das bandas Mundo Livre S/A e Planet Hemp.

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