Woman N Noise fortalece a presença LGBTQIA+ no underground carioca em sua quarta edição

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Com organização coletiva, proposta beneficente e colaboração entre mulheres de diferentes estados, festival conecta música e participação; a Stay Safe soma ao encontro o peso da Baixada Fluminense e a defesa de uma cena mais plural.

Sentir-se parte de uma cena passa pela possibilidade de estar nela: subir ao palco, produzir um encontro ou acompanhar um show com segurança. Na quarta edição do Woman N Noise, realizada em 4 de setembro de 2026, no Garage Grindhouse, na Praça da Bandeira, essa ideia ajuda a compreender o que a organização pretende construir no underground carioca.

The Renegades of Punk (SE), Midorii Kido (BH/RJ) e Stay Safe (RJ) formaram a programação musical. O encontro reuniu artistas de diferentes localidades em um festival organizado coletivamente por mulheres e pessoas dissidentes de gênero, tendo o acolhimento como uma de suas bases.

A programação também contou com uma oficina de zine e uma roda de conversa com Stella Spinillo. Mulher trans e mãe, Stella é tecladista de uma banda, professora de piano e teclado, psicóloga e psicanalista, com mais de dez anos de atuação. Essas atividades ampliaram as formas de participação no evento, em sintonia com a proposta de aproximar o público da construção da cena.

Em entrevista ao Agenda Rock RJ, Jacqueline Buchos, organizadora-chefe do Woman N Noise, explica que a intenção é fazer do público uma parte ativa da programação. Assistir aos shows é uma das maneiras de estar ali; trocar experiências e participar das atividades também integram o projeto.

O compromisso também se estende à atuação beneficente. Segundo Jacqueline, cada edição ajuda uma instituição ou organização local com doações, aproximando o encontro musical das demais necessidades da comunidade.

Na avaliação de Jacqueline, a maior presença de público e artistas LGBTQIA+ foi uma das mudanças percebidas nesta quarta edição. O desejo da organização é que essa participação continue crescendo, acompanhada da segurança necessária para que essas pessoas permaneçam na cena.

É nesse ponto que a proposta do festival se aproxima da experiência da Stay Safe, uma das bandas desta edição. Formada por amigos da Baixada Fluminense, a banda reúne Fábio Gregório na guitarra, Mauricio Fernando na bateria, Deleon Simoni no baixo e Tonnya Hyung nos vocais. Em entrevista respondida pelos integrantes, o grupo relaciona sua origem à vivência das rodas, dos mosh pits e da cultura dos shows — de onde vem também o nome Stay Safe.

Foto: Samuel Barbosa / Edição: Juliana Costa

A sonoridade acompanha essa soma de experiências. No nu metal, hardcore, rap, metal e rock, encontram-se referências da estética mandrake, que os músicos reconhecem como parte de sua realidade. “É pesado, é agressivo, é urbano e é muito nosso”, definem.

A chegada de Tonnya não fazia parte de um plano inicial de ter uma mulher à frente da banda. O contato surgiu a partir da ideia de gravar uma participação com um MC da região, mas a conexão mudou os rumos do projeto. “A Tonnya topou participar e, quando rolou o primeiro contato, foi porrada à primeira vista”, lembram os integrantes. O encontro, que seria pontual, se tornou parte da formação. Os músicos atribuem à vocalista uma presença e uma energia hoje fundamentais à identidade da Stay Safe.

Ao abordar a recepção ao trabalho, a banda relata perceber resistência, ainda que sutil, por ter uma mulher trans no vocal. Segundo os integrantes, comentários maldosos e manifestações de desinteresse aparecem associados a essa presença. O grupo também conta que seu som por vezes é resumido como mais próximo do pop, associação que afirma não ser uma preocupação.

Edição: Juliana Costa

A resposta dos músicos passa pela confiança no próprio trabalho e pela defesa de mais oportunidades para mulheres e pessoas LGBTQIA+ criarem projetos, produzirem eventos e ocuparem palcos. “Quanto mais gente diferente ocupar a cena, mais forte e interessante ela fica”, afirmam.

Essa construção acompanha os próximos passos da Stay Safe. Desde março, a banda desenvolve o ciclo de lançamento de seu primeiro EP, EXTINÇÃO. “Acerto de Contas”, “Noite Maldita dos Cria” e “NCNTNBC” integram a sequência apresentada pelo grupo, que prevê lançar “Água” e “Extinção” até novembro. Os integrantes também trabalham nos shows e sinalizam a possibilidade de um clipe, ainda sem confirmação.

No Woman N Noise, os planos de continuidade passam por fortalecer as conexões entre coletivos. Jacqueline destaca que a quarta edição foi realizada em colaboração com coletivos de mulheres de São Paulo e Belo Horizonte. A repercussão, segundo ela, alimenta o desejo de levar o festival a outros locais do Rio de Janeiro e a outras capitais.

A organização pretende manter duas edições por ano, frequência que Jacqueline afirma ter alcançado em 2025 e 2026, e já aponta para a continuidade em 2027, ainda sem uma nova data anunciada na entrevista.

Entre o desejo de expansão do festival e a defesa de pluralidade feita pela Stay Safe, existe uma preocupação compartilhada: abrir espaço para que mais pessoas construam o underground. No Woman N Noise, esse compromisso orienta tanto a proposta de acolhimento quanto as parcerias e a atuação beneficente que a organização quer levar adiante.

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Foto de Juliana Costa

Juliana Costa

De entusiasta da arte do enquadramento, até ser fotojornalista de eventos socio-culturais. Prazer, Ju.

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De entusiasta da arte do enquadramento, até ser fotojornalista de eventos socio-culturais. Prazer, Ju.

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