Rock in Rio venceu o primeiro fim de semana

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Enfim chegou o maior e mais importante festival de música do país, o Rock in Rio, e tivemos a oportunidade de estar presente em três dos quatro dias do primeiro fim de semana, sendo os dois dias de rock e o dia dedicado aos clássicos, com isso tentarei passar um pouco do que tivemos pela Cidade do Rock nesses dias.

Ao contrário de uma resenha tradicional dos shows, a ideia é fazer um resumo do que pudemos presenciar nesses dias, pontuando mais a experiência — no bom sentido: a de curtir os shows principalmente, mas também olhando para o festival como um todo.

O dia 4 (sexta-feira) foi mais dedicado ao rock alternativo e também foi o dia com menos público, talvez por ter um público mais velho e ainda ser dia de trabalho. Infelizmente, o público não conhecia a fantástica banda britânica Nova Twins, que tocou pra um público ínfimo no gigante Palco Mundo. Aliás, fato que ocorreu mais tarde também no show espetacular apresentado pelos suecos do The Hives.

Por outro lado, no Sunset vimos apresentações de Detonautas + Biquini e Capital Inicial com Dado Villa-Lobos com o espaço abarrotado e o público cantando a plenos pulmões. O Palco Mundo só veio a ganhar força com o show do Foo Fighters, quando se via um misto de emoção e empolgação na plateia.

Nesse dia, talvez Nova Twins e The Hives devessem estar no Sunset, e Detonautas + Biquini e Capital com Dado, no Palco Mundo.

O dia 5 (sábado) foi dedicado ao metal moderno, uma aposta do festival que, a meu ver, deu muito certo. Mais cheio que o dia anterior, com público jovem, renovado, curtindo shows em todos os palcos do festival, apesar da chuva que, hora ou outra, insistia em cair.

Infelizmente, devido à fila imensa para entrar, acabei perdendo mais da metade do show da Malvada, porém ainda a tempo de pegar o então último show do Sepultura no Rio de Janeiro, com sua proposta acertada de homenagear a merecida fase Derrick Green, na banda desde 1997 e com uma vasta discografia de respeito.

Em seguida, foi a vez de correr pro Palco Sunset pra ver Black Pantera com Nervosa, mandando só pedrada e levando a galera à loucura. Já no Global Village, Korzus apresentou um show de thrash tradicional, entupido e com aquele gosto de que deveriam estar num palco maior, embora, pra mim, tenha sido ótimo ver a banda ali naquele palco mais intimista.

Bad Omens e BMTH, na minha opinião, são duas bandas que devem retornar logo ao festival, aproveitando a empolgação e o momento. Ambas entregaram shows dignos de headliners.

Aí vai minha crítica com relação à escalação, e talvez tenha faltado um pouco de percepção da curadoria em entender o momento. Apesar de Avenged Sevenfold ser mais conhecida e até ter mais público — já tenho minhas dúvidas —, o show do Bring Me The Horizon acabou deixando o Avenged apagado e cansativo para quem não é fã da banda. No meio do show, muita gente já se encaminhava pra casa, incluindo este que vos escreve.

Depois de um dia de chuva e cansativo, tudo começa a te irritar e, se não tem algo que empolgue, esquece: é casa, banho e cama.

O dia 7 (segunda-feira) foi um dia que será lembrado pra sempre. Apesar da chuva que castigava e das poças que a Cidade do Rock já acumulava dos outros dias, o público chegou cedo. Vanessa da Mata, ao abrir o Palco Sunset, já contava com bom público.

Pode-se considerar que esse foi um dia de aulas. De música, de como se apresentar, de como dominar um público. Luísa Sonza com Roberto Menescal fizeram um show digno, mas aí vieram Roupa Nova e Guilherme Arantes: perfeitos, emocionantes. Péricles cantando Motown, saindo ovacionado e com pedidos de uma turnê; Gilberto Gil com um show emocionante, utilizando o telão de forma primorosa; e, claro, Sir Elton John em seu último show, pelo menos em terras brasileiras. Um repertório escolhido a dedo, com aquela banda que todos já conhecem há décadas.

Bem, mas vamos aos pontos. Positivos primeiro.

O telão do Palco Mundo veio pra ficar. Um espetáculo à parte que as bandas dos dias 5 e 7 souberam usar muito bem. Aqui, um bastidor: as bandas eram responsáveis por tudo que ia para o telão, desde imagens e formatação até o material que era compartilhado com a TV, caso quisessem. O som do Palco Mundo, sempre motivo de críticas, estava excelente, até mesmo à distância. Vi o show do Elton John lá do fundo (fundo mesmo!) e foi ótimo.

Banheiros: outro ponto forte do festival. Sempre limpos, mesmo quando lotados — já falarei sobre isso. Muitos pontos de hidratação, além do acerto da produção ao permitir a entrada de garrafinhas com tampa. Ainda assim, havia muita gente distribuindo água no gramado.

Nota 10 pro pessoal da COMLURB, que não deixava um papel de bala no chão, além de cuidar da limpeza dos banheiros. Palcos bem espalhados, todos com bons espaços e som excelente.

Agora, aos pontos negativos. Todos podem ser acertados para uma próxima edição.

Lotação: Aqui vai um ponto difícil e importante, por gerar desconforto e insegurança em muitos. Enquanto nos dias 4 e 5, quando deviam ter por volta de 60 a 70 mil pessoas (temos de aguardar a divulgação oficial), tudo estava funcionando bem, inclusive a fluidez do público, no dia 7, com a lotação máxima, acabou ficando insuportável, principalmente no show do Elton John, quando não dava pra transitar na área do gramado.

Alguns banheiros acabaram tendo problemas de lotação, o que causou filas imensas. Até pra comer ou consumir algo em alguns pontos era impossível. Acredito que, com 85 mil pessoas, já não haveria tal problema. Por ter um público de mais idade, vi algumas pessoas saindo frustradas por não estarem conseguindo ver o show. Aí já bate o problema do cansaço e de qualquer coisa começar a irritar.

Outro ponto que causou desconforto — e isso já vem de outras edições — é o som de alguns estandes, que acaba atrapalhando shows mais tranquilos, como ocorreu no caso de Roupa Nova e, principalmente, de Laufey e Jon Batiste. A produção precisa rever essa questão nas próximas edições. Afinal, apesar da importância de as marcas estarem ali, dá pra interromper esse som enquanto há show em um palco próximo.

Aliás, o filme que fica passando no Cine Rota 85 também mantém um som alto em loop o tempo inteiro. Às vezes, a pessoa tá ali descansando, comendo ou comprando algo e quer ouvir o show que está tocando lá embaixo.

Outra crítica grande, já não ligada diretamente ao festival, é o refil de café. É fácil comprar o copo, porém quase impossível pegar o café, já que as filas intermináveis acabavam fazendo com que muitos desistissem; caso contrário, perdia-se algum show.

Fora isso, as enormes filas das ativações, por vezes, atrapalhavam a circulação do público. Aliás, filas que às vezes se formavam pra nada. Bastava algumas pessoas se aglomerarem para que uma fila surgisse e só depois as pessoas percebessem que não tinha nada acontecendo.

Bem, essas são as pontuações sobre o primeiro fim de semana do festival, que pode carregar o slogan de “ame ou odeie”, mas que já está em sua décima primeira edição apenas no Rio de Janeiro, 41 anos depois da primeira, em 1985.

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Foto de Alexandre Rocha

Alexandre Rocha

Apaixonado por música, shows, vinis e cds. Especialista em dar pitaco sobre esse mundo.

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