Cliva Festival reforça o crescimento do Underground da Zona Oeste em segunda edição marcada por atitude e novidades

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Com público crescente, maior proximidade entre artistas e plateia e o lançamento de “Virtual Kadaver“, do Cliva, a segunda edição evidencia uma Zona Oeste cada vez mais presente no circuito underground carioca.

Uma cena musical não cresce apenas com o surgimento de novas bandas. Ela ganha força quando o público retorna, leva outras pessoas, ocupa os espaços e transforma um evento em ponto de encontro. Em sua segunda edição, o Cliva Festival mostrou justamente esse movimento: o underground da Zona Oeste está ativo e ampliando seu alcance.

Público em peso na segunda edição do Cliva Festival | Foto: Juliana Costa

Transborde, Melão Colia, Neon Soul, StaySafe, Skorno, Cliva e Ambstract formaram uma programação sem compromisso com um único gênero. Essa diversidade é parte da identidade do festival, que abre espaço para diferentes vertentes da música independente e permite que alguém chegue por uma banda e termine a noite descobrindo outras sonoridades.

Neste ano, porém, o encontro aconteceu de maneira diferente. Os dois palcos da primeira edição deram lugar a apenas um por uma questão de logística — mudança que também fez a organização perceber que talvez o espaço atual já comece a ficar pequeno para o formato que o Cliva Festival pretende alcançar.

Na prática, a alteração trouxe algo positivo. Fotografando o evento, senti uma aproximação maior entre quem estava tocando e quem acompanhava os shows. Sem a dispersão de duas apresentações simultâneas, a troca ficou mais evidente: músicos e plateia compartilhavam praticamente o mesmo ambiente e respondiam uns aos outros o tempo inteiro.

No underground, essa proximidade importa. O público não está ali apenas para assistir. Ele reage, canta, movimenta o espaço e também ajuda a determinar a energia de cada apresentação.

A presença de pessoas vindas de outras regiões do Rio reforçou outro aspecto importante desta edição. Durante muito tempo, tornou-se comum que moradores da Zona Oeste atravessassem a cidade para acompanhar shows, tornando esse êxodo e essa imigração positivos, tanto para quem dedica seu tempo e espaço à produção nos locais fora da capital fluminense quanto para quem adora explorar novos lugares, conhecer novas culturas e vivenciar realidades não tão distantes da sua, exceto por questões territoriais. E o Cliva Festival consegue ajudar a tensionar essa lógica.

Para a própria produção, a região ainda pode receber mais atenção de bandas, coletivos e produtoras de fora. Há público e há iniciativas acontecendo. O fortalecimento desse circuito depende agora de uma troca maior entre diferentes pontos da cidade.

Um exemplo é o Skorno, banda que faz a intermediação entre a Zona Norte, no Morro do Juramento, e a Baixada Fluminense, em Belford Roxo, e encontrou essa receptividade de perto. Convidado para esta edição, o power trio de crossover hardcore viu a resposta da plateia superar suas expectativas.

Mesmo transitando por uma sonoridade diferente de parte do metal moderno que circula atualmente, a banda percebeu identificação não apenas com o peso dos riffs, mas também com as letras e a energia levada ao palco. A curiosidade inicial diante do trio rapidamente se transformou em participação. A apresentação teve significado especial porque ocorreu durante um período de trabalho interno do grupo, que se prepara para um novo disco.

Para os três artistas, retornar aos shows, sobretudo “longe de casa”, também é uma maneira de lembrar por que todo o processo de composição e produção existe: colocar a música diante das pessoas e receber uma resposta imediata. Além disso, eles veem com bons olhos o desenvolvimento do underground na Zona Oeste.

Bruno Xistra (Vocal e Contrabaixo), Igor Ribeiro (Bateria), Felipe Vidal (Guitarra e Vocal) | Foto: Juliana Costa

Ainda entre as novidades do evento, o próprio Cliva aproveitou a segunda edição para apresentar Virtual Kadaver, álbum já disponível nas plataformas digitais.

O trabalho dialoga com tecnologia, comportamento e uma realidade cada vez mais atravessada pelo virtual, aproximando o universo do grupo de uma espécie de distopia contemporânea. Lançar esse disco justamente em um festival baseado no encontro físico entre bandas e público cria um contraste interessante.

E a temática do álbum é direta e reta: observar as tensões de um cotidiano mediado por telas e tecnologia.

Pablo França, Vocalista e um dos organizadores do Cliva Festival | Foto: Juliana Costa

Após duas edições, o Cliva Festival já sente os reflexos desse crescimento: aumento do público, novos rostos e expectativa pelos próximos passos. Muito mais do que reunir bandas, o evento fortalece a música independente a partir do que sustenta o underground em sua essência: coletividade, troca e humanização.

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Foto de Juliana Costa

Juliana Costa

De entusiasta da arte do enquadramento, até ser fotojornalista de eventos socio-culturais. Prazer, Ju.

Foto de Juliana Costa

Juliana Costa

De entusiasta da arte do enquadramento, até ser fotojornalista de eventos socio-culturais. Prazer, Ju.

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